Estamos nos aproximando do final de 2025 e, em muitas organizações, este é o período decisivo de revisão de resultados, avaliação de indicadores e, principalmente, de construção ou revisão do planejamento estratégico e orçamentário para 2026.
É justamente agora, no momento de decidir as prioridades para alocar os recursos, que surge um alerta importante: Um dos maiores riscos estratégicos para 2026 é a falta de lideranças preparadas para conduzir as transformações necessárias.
Mais do que nunca, o sucesso dependerá da capacidade das empresas em formar líderes preparados para guiar mudanças reais. Nos últimos anos, vimos empresas avançando rapidamente em digitalização, automatização e uso de inteligência artificial. Porém, a transformação tecnológica vem acontecendo mais rápido do que a transformação humana. E essa distância está cobrando um preço alto.
O engajamento vem despencando ano a ano, e a liderança pode ser considerada como o fator principal desse indicador. Segundo o relatório Global Workplace 2025, da Gallup:
- Apenas 23% dos colaboradores no mundo se declaram engajados
- No Brasil, o índice é ainda menor: entre 14% e 18%
- E 70% da variação no engajamento está diretamente ligada à qualidade da liderança
O que nos leva a compreender que pode haver um descompasso entre a evolução dos modelos de gestão e a complexidade atual do trabalho, inclusive com as demandas “mais exigentes” das novas gerações. Demandas essas, que surgem naturalmente com a evolução da sociedade, é comum que o pensamento crítico provoque transformações culturais, porém, ao que parece, as organizações não estão acompanhando essas transformações, correndo o risco de perder o “timing” para equalização e ajustes necessários.
No ano de 2024, o Brasil registrou um aumento de 67% nas licenças médicas relacionadas à saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Esse dado assusta, pois nos faz refletir sobre por que os ambientes de trabalho estão adoecendo as pessoas? Quanto isso está custando para as organizações? Como garantir execução estratégica diante de equipes fragilizadas? A Geração Z vem compondo de forma crescente a força de trabalho, e como sabemos, a relação dessa geração com o trabalho, com a liderança e a cultura organizacional é completamente diferente das gerações passadas.
No contexto atual, as pessoas passaram a não tolerar ambientes tóxicos ou lideranças autoritárias. Valorizam equilíbrio entre vida pessoal e profissional, exigem comunicação transparente, buscam propósito e coerência entre discurso e prática, além de entenderem a saúde mental e a qualidade de vida como prioridade. As pessoas estão cada dia mais tomando consciência de que o trabalho é uma parte da vida, ou seja, trabalham para viver e não vivem para trabalhar.
Nesse sentido, as organizações que não ajustarem sua cultura e práticas de liderança para essa realidade terão dificuldades crescentes em atrair, engajar e reter talentos.
Apesar da busca pelo resultado continuar sendo uma sentença nas discussões estratégicas, o discurso para fora da sala é de que as organizações estão preocupadas com as pessoas. Sabemos que muitas vezes, trata-se de uma hipocrisia e um paradoxo, pois os interesses são muitas vezes conflitantes. Em todo caso, essa busca incansável por produtividade, crescimento e entrega de resultados melhores a cada ano, distanciam das iniciativas necessárias para transformar os modelos de gestão e equilibrar as demandas das partes. Algumas organizações seguem na perigosa estratégia de buscar o resultado a “qualquer custo”, e quando esse custo é a saúde, num primeiro momento dos colaboradores, no segundo momento, desencadeará na saúde das organizações, pois por enquanto ainda não há como produzir sem as pessoas. Não é apenas uma questão de contribuição social, liderança visionaria ou governança exemplar, é uma questão de sobrevivência a médio prazo.
A pesquisa Panorama 2026 – Amcham & Humanizadas, que ouviu 629 empresas brasileiras, mostra que:
- 52% afirmam ter dificuldade em executar a estratégia
- 37% enfrentam cultura resistente à mudança
- 31% reconhecem lideranças pouco preparadas para o momento atual
A princípio, a estratégia não estaria falhando no planejamento, porém estaria falhando na execução. E execução é liderança. Ainda, o relatório aponta que desenvolvimento de lideranças e adoção de IA aparecem entre as principais prioridades estratégicas para 2026. porém com uma ressalva crítica, muitas empresas ainda não estão planejando orçamento para essas iniciativas, deixando que os desafios do dia a dia acabem consumindo os recursos. E ao não investir nas bases das possíveis soluções, os problemas vão se repetindo continuamente, e aumentando a cada novo ciclo.
O futuro do trabalho não está chegando. Ele já começou. Segundo o relatório Future of Jobs 2025-2030, do Fórum Econômico Mundial:
- 37% das habilidades atuais serão transformadas até 2030
- 85% das organizações planejam requalificar suas equipes
- No Brasil, a escassez de mão de obra qualificada é o maior obstáculo para inovação
Investimento em qualificação precisa ser priorizado agora, pois a perenidade do negócio está em risco. Estamos falando de intervenções estratégicas que impactam diretamente indicadores de desempenho organizacional, custo operacional e sustentabilidade do negócio.
Na EDAQ, trabalhamos com evolução contínua da cultura e da maturidade da liderança, atuamos como parceiros estratégicos dos nossos clientes, oferecendo soluções robustas e contínuas para auxiliar o desenvolvimento de seus líderes.
Na Formação de Liderança Transformacional, por exemplo, observamos impacto direto no engajamento, clima organizacional e retenção de talentos. A Gallup aponta que 70% do engajamento de uma equipe está diretamente relacionado à qualidade da liderança, e que empresas com lideranças fortes apresentam até 21% mais lucratividade. Na prática, isso significa que líderes preparados não apenas engajam suas equipes, mas reduzem desgaste emocional, orientam prioridades, criam consistência cultural e sustentam resultados ao longo do tempo.
Já na Trilha de Primeira Liderança, fortalecemos líderes recém-promovidos na transição mais sensível da carreira: a passagem de “executor” para “gestor de pessoas”. De acordo com o Corporate Leadership Council (CEB), 40% dos novos líderes falham nos primeiros 18 meses por falta de preparo, o que gera aumento de conflitos internos, ruídos de comunicação, retrabalho e rotatividade. Quando formamos essas lideranças desde o início, reduzimos o turnover voluntário, diminuímos o absenteísmo decorrente de insegurança ou sobrecarga e aumentamos a clareza de expectativas, o que acelera a produtividade das equipes.
Por fim, nos Programas de Saúde Mental Organizacional, o foco está em fortalecer ambientes psicologicamente seguros, reduzir o risco de burnout e prevenir afastamentos. Ambientes saudáveis apresentam até 76% mais engajamento e níveis significativamente menores de rotatividade e licenças médicas. Considerando que as licenças por saúde mental cresceram 67% no Brasil em 2024, investir em políticas estruturadas de cuidado não é apenas um ato humanitário ou reputacional, é também uma decisão financeira, estratégica e operacional. Cada afastamento gera custos diretos e indiretos: substituição, perda de conhecimento tácito, desaceleração de projetos e queda da qualidade de entrega.
2026 será um ano decisivo. Não porque será turbulento, mas porque pedirá clareza de direção, coragem nas escolhas e coerência entre discurso e prática. Será um ano em que lideranças preparadas, culturas vivas no cotidiano e ambientes psicologicamente seguros deixarão de ser diferenciais — e se tornarão condições mínimas para resultados sustentáveis.
E aqui surge a pergunta que define o próximo ciclo:
Qual posição a sua empresa vai assumir? Será protagonista da mudança, antecipando movimentos, fortalecendo pessoas e construindo o futuro? Ou vai reagir tarde demais, ajustando-se somente quando o desgaste já tiver comprometido o negócio, os times e a cultura?
Vai liderar a transformação ou apenas seguir o mercado? Vai inovar nas decisões ou repetir modelos que já não sustentam o presente? Vai prevenir riscos ou lidar com consequências inevitáveis?
As organizações que escolherem preparar suas lideranças hoje serão aquelas que permanecerão relevantes amanhã. A questão é simples e estratégica:
Você será quem cria o movimento ou quem assiste o movimento acontecer?
Referências
- Gallup. State of the Global Workplace Report 2025.
- Ministério da Previdência Social. Observatório de Saúde no Trabalho: Afastamentos por transtornos mentais, 2023-2024.
- Fórum Econômico Mundial & FDC. Future of Jobs 2025-2030.
Amcham Brasil & Humanizadas. Panorama 2026.


