Nos últimos dias, a reportagem do The Intercept Brasil expôs relatos sobre o modelo de trabalho da G4 Educação: jornadas extenuantes, constrangimentos, punições humilhantes e ameaças veladas.
O ponto mais grave, para mim, é que quem vende “educação corporativa” influencia como milhares de líderes vão gerir pessoas amanhã. Se o que se ensina é que “resultado” justifica tudo, o que se espalha é adoecimento, medo e desumanização.
A própria comunicação pública da G4 ressalta “programas para levar negócios ao próximo nível”, com foco em aplicar imediatamente métodos e ferramentas para crescer desempenho e faturamento, narrativa típica de alta performance e meritocracia como credo central. Quando esse credo vem desacoplado de ética, limites e saúde, ele se torna licença para práticas abusivas.
Por que isso é mais do que um caso isolado
Trabalho é determinante de saúde. A OMS já consolidou: ambientes com carga excessiva, discriminação/assimetrias de poder e insegurança elevam o risco de transtornos mentais. Depressão e ansiedade tiram 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, a um custo de US$ 1 trilhão em produtividade. No Brasil, os afastamentos por motivos de saúde mental dispararam em 2024, superando 440 mil registros, e podem chegar a 1 milhão se incluirmos informais. Quando um provedor de “educação corporativa” naturaliza humilhação e excesso como método, não está ensinando gestão, está normalizando risco ocupacional.
Meritocracia sem contexto vira violência com nome bonito
A propaganda sedutora da “meritocracia” ignora que pontos de partida são desiguais e que pressionar pessoas até a exaustão não cria mérito. É uma estética de “força” que ecoa lógicas escravocratas e senhoriais, hierarquias rígidas, punição exemplar, silenciamento e a crença de que alguns valem mais do que outros. A sociedade amadureceu, a consciência avançou, e não aceitaremos mais posturas discriminatórias e abusivas. Educação não pode ser um cavalo de Troia para retrocessos humanos.
O que defendemos na EDAQ
Na EDAQ, trabalhamos o exato oposto: resultado com responsabilidade humana. Isso significa:
- Segurança psicológica como infraestrutura de performance sustentável.
- Responsabilização com apoio: metas claras + feedbacks respeitosos + autonomia real.
- Saúde mental como indicador de gestão, não como custo colateral.
- Liderança humanizada e baseada em evidências, não em narrativas de “força” que adoecem.
Esse caminho não é só ético, é economicamente inteligente. Evidências mostram que ambientes saudáveis reduzem absenteísmo e aumentam retenção e performance no médio e longo prazo.
Chamado ao mercado
- Aos clientes que compram “alta performance” sem perguntar qual é o custo humano: revisem seus critérios.
- Aos líderes: exemplo educa. A forma como você cobra é o que a sua cultura ensina.
- Aos provedores de educação: formar líderes é formar consciência não treinar técnicas de pressão.
Resultado que custa a dignidade não é sucesso, é retrocesso. E nesse momento estamos em busca da evolução da consciência, da expansão da mentalidade humanizada, consciente e responsável.


